In tribulatione mea invocavi Dominum, et ad Deum meum clamavi.[7]

Depois desceu as escadas com extranhavel vigor, atravessou a rua e aldravou á porta de João Nicolau de Brito.


XX

Eduardo Valladares e Maria Luiza, na impossibilidade de fallar-se, viam-se apenas. Triste correspondencia era essa escripta com lagrimas de dois corações que se deviam estar inflorando, n’aquella sazão, em jubilosas primaveras. Não acontecia assim, porém.

As cartas de Maria Luiza principiavam por palavras de resignação e fechavam com outras d’esperança; as de Eduardo Valladares tinham longo prefacio de desalentos e terminavam com assomos de mal contido desespêro.

Demoremo-nos um momento a medir a profundeza de dois abysmos.

Maria Luiza, alma que se desatara em perfumes e amores ao sôpro virginal do primeiro affecto, conhecia de sobra os despenhadeiros que lhe estava cavando um amor desventuroso, e resignadamente se deixaria despenhar só para não arrastar na queda outra alma que vivia sob o influxo d’uma estrella commum.

Por isso, com o coração despedaçado, aconselhava a medicina da resignação e deixava entrever diluculos d’esperança através de uma chuva de lagrimas que não podia reprimir.