João Nicolau de Brito, proprietario em Braga, conheceu que á mediania suada do genro pesava a educação do unico filho que tinha, e chamou á sua companhia o neto, de dezeseis annos d’edade.

—Parece que já não estamos tão sós! dizia João Nicolau de Brito a sua mulher D. Maria d’Assumpção, revendo-se jubiloso no rapazinho de dezeseis annos.

—Pois que! respondia D. Maria d’Assumpção. É sempre consoladora a companhia d’uma pessoa da nossa familia, ainda que seja uma creança.

—Creança! atalhava o esposo. Já não é tão creança como isso. Olha que tem dezeseis annos!

—O que é preciso, porém, é tratar de alliviar ao rapaz as saudades dos paes. Ou elle de si é triste ou se resente da ausencia.

—Tens razão, accrescentava João Nicolau.

—Isso tenho. Já me lembrou combinarmos com as Machados um passeio ao Bom Jesus para o distrahirmos.

—Lembras bem.

—Se lembro! E ellas que hão de gostar. O Eduardo precisa realmente d’uma distracção qualquer. Esta rua do Carvalhal é só e triste. O rapaz passa as tardes á janella por não querer sahir. Tambem tem razão. Não conhece ninguem!

—É isso. Não conhece ninguem—concordou João Nicolau, muito reflexivo.