—A convivencia com as Machados.
—Ora!
—Ora que!? Tu parece que não sabes o que é ser novo! Eu não me refiro á Rosa Machado. Falava da Maria Luiza, da irmã, que é outra doida por versos, que ha de conversar de poesia com o rapaz, e que por fim ha de vir a falar d’amor como quem se deixa ir ao som d’agua corrente...
—Ora ahi está o que eu approvo, atalhou D. Maria d’Assumpção. Essas práticas lyricas entre os dois ajustavam-se á occasião e vinham de geito. Ainda que o lyrismo do espirito descambasse em lyrismo do coração, ainda que a poesia se transformasse em amor, que inconvenientes poderiam vir d’ahi? Eram verduras da mocidade, que distrahiam o rapaz e que por fim de contas haviam de acabar no momento em que elle se aborrecesse.
—Tambem me parece... Que lá padre, dê por onde der, quero eu que elle seja. Sahiu dado a poesias? Melhor! Será um prégador de fama.
—Ha de ser tudo o que tu quizeres... Mas supponhamos até que o Eduardo começava a arrastar a aza á Maria Luiza. Travava-se o namorico, carta d’aqui, versos d’alli, uma semana d’ataque, outra semana d’aborrecimento, e por fim o rapaz curado da sua nostalgia em quinze dias.
—Mas não falaste ahi em aborrecimento? ponderou gravemente João Nicolau de Brito.
—Falei, respondeu com convicção a sogra de Sebastião Valladares. Mas refiro-me ao aborrecimento que de si mesmos trarão uns amores pueris. Depois, para curar esse aborrecimento, principia-se novo galanteio a nova estrella, e ahi começa a chrysalida a tornar-se borboleta e a perseguir as flores.
—Olha que as flores teem espinhos... atalhou João Nicolau de Brito meneando a cabeça.
—Cala-te! replicou D. Maria. Os espinhos das mulheres são... os alfinetes. Em nome do sexo, agradeço-te a amabilidade.