—Oura-se muito, pois não oura?
—Não se oura nada, mulher. A gente acostuma-se aos solavancos, e depois vae menos mal. Comparado isto com as jornadas a cavallo, d’outros tempos!
—Acho que ha lá por fora muitas coisas novas. Eu é que não tenho visto nada, nem quero vêr. «Boa romaria faz quem em sua casa vive em paz.»
—Assim é, mulher, mas ha casos que podem mais do que as leis. Tambem me chegou a minha vez d’andar em diligencia.
O medico assistente de Maria Luiza dera-lhe licença de sahir pela primeira vez, justamente no dia em que se enterrava no Porto o bacharel Valladares.
Era um formoso dia dos ultimos de fevereiro.
—Ora vá, disse-lhe o facultativo. Não tardam a desabrochar as flores; v. ex.ᵃ deve apparecer tambem. Tome porém cuidado com o passeio. Não vá longe.
—É que realmente não sei para que lado hei de ir.
—Convem que se não exponha. Vá para o lado de Infias, mas não se demore muito.
Quando o facultativo sahiu, Maria Luiza sentou-se a escrever a Eduardo Valladares as seguintes linhas: