A noite passára em vela.
E que noiva a dormiria?
E, ao desmaiar das estrellas,
Alvoroçada se erguia
E a alva flôr da larangeira
Ao véo de neve prendia.
Estas alegrias nupciaes não podiam deixar de ser anuveadas pela inspiração melancolica do poeta. Passam-se{24} as horas, e o noivo não chega. Em compensação, vem a noticia de ter sido morto em combate. A noiva succumbe
E a alva flôr da larangeira
Com ella á campa descia.
A segunda poesia denomina-se Thereza, e na ideia tem alguma coisa d'aquella suavidade dolorida dos versos de Soares de Passos. O ninho querido onde o poeta modula os sens carmes é o coração da mulher. Thereza é a historia d'uma creança pallida e triste, d'aquella tristeza scismadora das almas fadadas para o soffrimento, que só tem sorrisos nos labios no dia em que presente a morte...
Era uma criança loira
Quando a vi na sepultura;
Da açucena tinha a alvura,
Teve o seu curto durar................................
Folheando o quinto volume da Grinalda encontramos tres poesias de Julio Diniz. A primeira é uma versão de Henri Heine, que de certo Gomes Coelho escolheu pela delicadeza peculiar das legendas allemãs, que a caracterisa. A segunda,—No altar da patria—é uma formosa composição realmente, em que o coração da mulher lucta entre duas forças igualmente poderosas,—o amor da patria e o amor de mãe.
—«Ó mãe, da-me uma espada.
Ouço da patria a voz»
—«Eil-a! É immaculada.
Era a de teus avós.»—Pura a trarei, voltando...
Se não morrer alli.»
—«Vai», disse a mãe, chorando,
«Eu rezarei por ti.»
E trava-se o combate, e sibila a metralha, mas o{25} soldado não volta. É ainda,—e sempre,—a ideia da morte que inspira o poeta. A terceira poesia, que tem por titulo—A despedida da ama—e é offerecida ao snr. José Joaquim Pinto Coelho, é igualmente inspirada pelo coração feminino em lucta com as praxes sociaes, com o despotismo da superioridade. São lagrimas d'uma mulher que se deixou amar como se fôra mãe uma criança que não era seu filho.
Puz, á volta do teu berço,
Todo o amor, que um seio tem,
E arrancam-te dos meus braços
Porque eu não sou tua mãe?
De anno para anno são sensiveis os progressos do poeta. A fórma desenvolve-se, torna-se flexivel á inspiração, e o colorido vai ganhando em mimo o que jámais á ideia faltou em sentimento.