Os fidalgos da Gésteira sahiram para o Porto, e arrendaram casa, uma bella casa de trez andares, na rua de Santa Catharina.

A fidalga queria ficar perto do collegio,—o mais perto possivel.

Marcou-se o dia em que o sr. D. Ruy devia entrar no collegio. O director, o Daniel Navarro, tinha ordem de se não poupar a despezas para amenizar a iniciação do joven collegial. Esse dia, era uma segunda feira. Mas no domingo á noite a fidalga chorou tanto, que o morgado achou prudente deixar passar mais alguns dias.

Por sua parte, o sr. D. Ruy estava um pouco vacillante entre as saudades da mãe e o desejo de entrar no collegio. Um dia o pae levara-o lá. Era á hora em que os alumnos estavam no recreio: todos elles pareciam alegres, riam, vozeavam, corriam pelas ruas da quinta, jogavam as escondidas, baloiçavam-se no trapesio. Aquillo não lhe desagradou; demais a mais o Navarro fizera-lhe muita festa, foi mostrar-lhe as aulas, os dormitorios, a casa de jantar, e disse-lhe:

—Olhe que isto não é mau.[{142}]

E o sr. D. Ruy sorrira, sentira-se forte, imaginava que se havia de dar bem ali, com os outros, brincando como elles.

Mas ao chegar a casa, chorára vendo a mãe, e ella chorára tambem, abraçada n'elle.

—Bem! dissera do lado o pae, tu não desgostaste, pois não é verdade:

O sr. D. Ruy, com os olhos chorosos, meneára affirmativamente a cabeça.

—Então entrarás segunda feira... está dito!