E passára a mão pela face da fidalga, afagando-a.
—É que se o rapaz ainda não vae d'esta vez, disséra, fica sendo o D. Sebastião do collegio da Guia. Eu não quero que os outros lhe ponham alcunhas, que ficam depois para toda a vida.
—Nem eu, replicára a fidalga com vivacidade.
A ideia de que seu filho poderia ter uma alcunha, ser chamado o D. Sebastião do collegio, sobresaltára-a. E desde logo protestou a si mesma que o deixaria ir na primeira segunda feira.
—Ó mamã, dissera o pequeno, sabe que numero eu vou ter no collegio?
—Qual?
—Sou o 416.
Esta novidade, o facto de ir ser o 416, agradava-lhe. Era uma variante á monotonia do seu[{143}] tratamento habitual. Toda a gente lhe chamava D. Ruy, o sr. D. Ruy, mas d'ali em diante iam chamar-lhe o 416. Que bom!
No domingo, o morgado tornou a levar o filho ao collegio. Quando entravam, os rapazes sahiam arregimentados. Iam ouvir missa á Lapa, e depois dariam um passeio até Paranhos. O morgado disse ao prefeito que tambem os acompanharia, para habituar o filho á sua nova vida de collegial.
Na egreja da Lapa, emquanto esperavam pela missa, o sr. D. Ruy fez relações de amisade com um rapaz, filho de um fidalgo da casa de Villa Pouca, em Guimarães. Era o 86. O sr. D. Ruy gostou d'elle, e gostou de se vêr tratado familiarmente—por 416, apenas.