Ora é justamente o discreto silencio dos freguezes, que querem ter companheiros na desgraça (solatium est miseris, etc.), que explica a grande clientella que tem, principalmente na epocha de banhos, a loja do Elephante azul.

Foi, pois, n'essa ilha deserta, deserta antes do mez de setembro, o melhor n'aquella remota praia, que os dois solitarios banhistas se encontraram, e principiaram a tratar-se por tu, duas horas depois de se terem visto pela primeira vez.

—Mas então, perguntava o meu amigo, não costuma vir mais gente para aqui?

—Sim, senhor, respondia o dono do Elephante azul, no mez de setembro é tanta a concorrencia, que eu costumo vender todo o champagne, toda a cerveja, toda a genebra que fabrico.

E o outro, que já lá estava a banhos, observava:

—Em setembro, será assim. Mas desde o dia 20 de julho, em que cheguei, até hoje, apenas eu só tenho tido a honra de despertar as attenções dos pescadores. No primeiro dia olharam para mim com surpreza, e nos dias seguintes com espanto.[{23}]

—Como assim?!

—Espanto de que eu, encontrando-me sosinho, continuasse a ficar...

—Mas agora somos já dois!

—Agora seremos um, in carne una, porque eu já te não largo, amigo da minha alma! até que em setembro chegue mais gente. Tu foste a minha tabua de salvação, ó inesperado e dilecto amigo!