—Sr. morgado, continuava o tendeiro, eu sou um homem honrado, incapaz de tirar nada a ninguem.
—Menos a um pobre... como eu. Duas libras![{211}] que eu guardava para uma precisão! exclamou o Venancio, e começou a chorar.
Então, a natural bizarria do morgado não lhe permittiu tolerar aquella scena por mais tempo. Fosse verdade ou não fosse, era preciso acabar com aquillo,—uma miseria de duas libras! E o tendeiro envergonhado por tão pouco!... Não podia ser.
—Rapaz, disse o morgado querendo salvar a situação, não foi ao sr. Ambrosio que deste a guardar as duas libras. Não te lembras bem. Foi a mim...
Então o Venancio, serenamente, humildemente observou:
—Essas foram outras, sr. morgado.[{212}]
XXV
O ultimo puritano
Era uma vez um velho, o Seabra, que eu de tempos a tempos procurava na repartição, porque tinha uma excellente mão de cursivo para tirar copias.
Sessenta e seis annos bem puxados, posto que elle não desse ao manifesto mais de sessenta.