Na repartição, elle trabalhava com oculos, mas na rua nunca os punha.

Um dia insisti com elle em que viesse comigo pela rua do Oiro.

Pediu-me muitas desculpas, e recusou.

—Já não vejo nada! dizia elle.

—Mas por que não põe os seus oculos? perguntei-lhe eu.

E elle, muito sentencioso, respondeu-me:

—Eu sou de um tempo em que não era permittido confessar nenhuma fraqueza em publico: nem mesmo a da vista.

De uma vez, como sempre, o Seabra entreabriu a porta do gabinete do chefe.

—V. ex.ª, sr. conselheiro, determina mais alguma coisa? perguntou.

—Não, Seabra, até ámanhã.