O Seabra compoz, diante do espelhinho, as suas farripas, ageitou a gravata, escovou a sobrecasaca, fechou a escova no armario.
E metteu pela rua da Prata, na sua teima de não querer confessar em publico nenhuma fraqueza: nem mesmo a da vista.
Junto á Praça da Figueira andava-se concertando um cano, a rua estava esburacada.
O Seabra caiu tão desastradamente, que partiu uma perna. Foi conduzido em maca ao hospital de S. José. Logo que lá chegou,[{220}] cheio de dôres, despiram-no, metteram-n'o na cama.
E elle, dirigindo-se muito attenciosamente ao enfermeiro, disse-lhe:
—Quer ter a bondade, sr. enfermeiro, de recommendar todo o cuidado com o meu fato, e de me dar um espelhinho que está na algibeira das calças?
Passados dias fui visital-o, levei-lhe um romance para que elle se entretivesse, lendo-o.
—Não posso, disse-me elle. Deixei os oculos fechados na repartição.[{221}]