VII

Loucura alegre

Conta-se que sobre uma pequena terra de provincia cahira, não sei quando, uma chuva verdadeiramente original, tão original, que perderam o juizo todos os que a apanharam.

E o caso é que toda a gente d'aquella terra a apanhou, com excepção de um sabio que ali vivia voluntariamente exilado, entregue a leituras profundas, a estudos d'alta sciencia.

No dia da chuva, o sabio não sahiu; não sahia nunca. Ficou, portanto, em seu perfeito juizo.

A gente da terra vivia principalmente dos trabalhos da agricultura, em pleno campo, de modo que a chuva cahiu-lhe em cheio sobre a cabeça, foi como se lhe alagasse os miolos...

Tendo endoidecido todos, o sabio era como que o unico pharol de bom senso que brilhava n'aquelle vasto mar de loucura.

Aconselhava os outros.[{66}]

Procurava chamal-os á razão.

Dava-lhes conselhos acertados.