Meia duzia de velhos, que no seu tempo haviam sido grandes valsistas, resolveram, a despeito do peso dos annos, reconquistar uma hora de mocidade, dar um baile em que todos elles valsassem como antigamente, embora fossem morrendo de cansaço no meio da sala.

Assim fizeram. Na noite do baile, eil-os que entram no salão, correctamente barbeados, tão gentis, quanto a idade lhes permittia, dentro das suas casacas muito justas e luzidias.

Uma valsa de Strauss fez ouvir as suas primeiras notas. Tudo ali parece palpitar ao som da musica,—os velhos principalmente.

E, cingindo a cintura de bellas damas, todos elles principiam a valsar com a intrepidez dos vinte annos.[{72}]

A valsa não affrouxa nunca, e os velhos valsistas, extenuados, principiam a cahir de cansaço, pallidos, mortos, um após outro, até que, estendidos sobre o verniz do salão, teem por funeral o baile, por De profundis a valsa de Strauss, que parece não acabar nunca!

Era phantastico o poema, excentrico o poeta.

Mas, o caso é que me lembrei do poema da Valsa, que, ai do poeta! ficou apenas em projecto.

Tudo aquillo que eu tinha visto, no sabbado e no domingo, era como a valsa dos velhos extenuados, que, ao som da musica, iam cahindo mortos n'uma atmosphera de alegria e n'uma allucinação de prazer, que os matou sem os ter remoçado, que os esgotou sem os ter divertido![{73}]

VIII

A mascotte