Quando cheguei á rua de S. João da Matta, disse-me o correio que o ministro estava ainda almoçando, e que eu teria de esperar pelo menos meia hora.
Despedi o trem, sem tomar sentido no numero.
Chegaram mais pessoas, com quem esperei conversando.
Quando o ministro acabou de almoçar, e me recebeu no seu escriptorio, lembrei-me subitamente de que a mascotte tinha ficado no trem.
Mostrei-me inquieto, disse-lhe o motivo da minha inquietação, porque elle conhecia muito bem, como todos os meus amigos, a lenda da bengala.
Sahi de afogadilho, com o livro debaixo do braço, e dirigi-me immediatamente ao commissariado geral de policia.
A um dos commissarios, meu amigo, contei que me tinha esquecido dentro de uma carruagem, cujo numero ignorava, uma bengala que valeria apenas seis vintens, mas que eu estimava muito.
O commissario imaginou talvez que se tratava de uma recordação de familia. Socegou-me. Como a bengala não tinha valor material, appareceria facilmente, ia dar as suas ordens, e eu prometti gratificar o policia que encontrasse a bengala.
Sahi do commissariado de policia para ir dar[{77}] umas voltas, tratar de negocios particulares. Mas tinha a convicção de que tudo me correria mal n'esse dia e nos outros, porque, ai de mim! havia perdido a mascotte. Era, moralmente, um homem morto.
Ás cinco horas da tarde, muito contrariado, quasi rabujento, subia eu o Chiado, olhando attentamente para todos os trens que passavam, ancioso de reconhecer o cocheiro que me tinha levado á rua de S. João da Matta.