Ao contrario, os gregos, cujo céo era todo alegria e esplendores, tinham uma palavra propria para designarem o seu estado normal—Eucolos, o que diz simplesmente,—ter bons intestinos.
A França representa na civilisação moderna o papel de mediadora e interprete; notou-o Edgar Quinet.
Pela sua posição topographica communica com a Italia e com a Allemanha, e creou tambem uma phrase para designar as influencias beneficas que recebe d'esta communicação—en belle humeur; por outro lado está ligada aos paizes de Calderon e Camões, d'onde lhe sopram as auras murmurosas que pozeram em vibrato a lyra plangente de Lamartine.
A meu vêr, um dos maiores escriptores da Europa, que mais salientemente deixa vêr a influencia do seu clima natal,—é Camillo Castello-Branco. Basta lêl-o, nos seus numerosos volumes, para se conhecer o temperamento portuguez.
É que Camillo Castello-Branco é primeiro que tudo um escriptor nacional. Nos seus romances anda o idylio{42} triste, suave, sublime de doçura e pungimento a par da satyra envenenada, da critica mordaz, do epigramma lacerante. Os seus livros, como os quadros de Rembrand, teem a magia do claro-escuro que caracterisa a escóla hollandeza.
É facil encontrar n'elles Moliere a par de Millevoye.
A educação de Camillo Castello-Branco devia influir gravemente no seu temperamento como aconteceu com Rousseau. São do livro No Bom Jesus do Monte estes pequenos quadros retrospectivos da sua primeira vida:
«Tinha eu nove annos e era orphão.
«Dous mezes depois d'este desamparo, com o tenro coração fistulado de saudade, a desbordar de lagrimas, e os ouvidos ainda resoando-me á alma o estertor da agonia de meu pai, é que eu, pela primeira vez, entrei no sanctuario do Bom Jesus.»
Ainda do mesmo livro: