O que é certo é que não ha ahi author que seja mais lido, mais gostado, mais popular até. A razão d'isto já fica acima apontada,—é que Camillo Castello-Branco é, pelo seu temperamento, um romancista verdadeiramente nacional.

—Eu já nem temperamento tenho! dizia-me elle outro dia. Creio que sou uma degeneração de todos os temperamentos.

Ah! perdão, meu presado mestre, eu que tenho lido os seus ultimos livros e que os estou agora dissecando sobre a minha mesa de physiologista, acho que elles são extremamente eloquentes, sobejamente verdadeiros.

A prodigiosa imaginação de Camillo Castello-Branco augmenta-lhe tambem a gravidade dos seus padecimentos; é ainda o romancista a fazer-se um romance para si mesmo.

D'isto não tem elle culpa, que é tambem uma consequencia do seu mesmo temperamento. A excitabilidade nervosa de certas organisações leva-as muitas vezes a verem os acontecimentos pelo prisma da sua imaginação pessimista. É assim que o snr. Alexandre Herculano que, a meu vêr, tem o mesmo temperamento, escrevia inspirado pela revolução de 1836 umas formosas paginas, esplendidamente exageradas, que{47} fazem lembrar as Ruinas de Volney e o Livro do povo de Lamenais.

Depois de fallarmos de Camillo Castello-Branco parece-nos ocioso estudar o mesmo temperamento em escriptores differentes, um dos quaes seria, se o houvessemos de fazer, o snr. Latino Coelho, cuja feição peninsular resalta dos seus escriptos politicos, cheios de verve, de mordacidade, de energia nervosa.{48}

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V

Visconde de Castilho

Estamos tratando do estylo e ainda o não definimos siquer. Emende-se a tempo o descuido, e aproveitemos a definição d'um grande estylista portuguez que nos vai preleccionar com maior clareza do que as regrinhas pretenciosamente concisas d'uns compendios de bem fallar que por ahi apparecem.