O estylo é na opinião de Camillo Castello-Branco «a concepção das idéas, manifestada em formulas visiveis e transmissiveis; é a luz exterior reflectida da luz interna. É ainda, em sentido menos lato, a escolha harmoniosa das palavras, congruentes á elevação ou simplicidade do assumpto. Que e mais o estylo? E a physionomia distincta da obra, do author, do assumpto, do paiz e do seculo. É, finalmente, o que ahi ha menos material na arte de escrever.»{50}
Anda visivelmente por isto a doutrina de Emilio Deschanel, e a verdade, que eu anteponho a todas as philosophias nebulosas, não fica tambem muito longe da definição de Camillo e da these do escriptor francez.
Todo isso é o estylo.
O estylo é o homem na sua dupla existencia. Temol-o provado, pelo que respeita á physiologia, e continuaremos a proval-o. Pelo que prende com a pessoa moral basta ler simplesmente um conto de Antonio de la Trueba, intitulado O estylo e o homem.
Fallemos levemente da formosa historieta do contista hespanhol.
Trueba recebe um dia uma carta que o chama urgentemente a Navalcarnero. Dá-se pressa em partir; parte.
Ao chegar a Mósteles, um cabo da guarda civil, commandante do posto, exige-lhe o passaporte.
Não se muníra Trueba de documentos officiaes, e contenta-se com dizer o seu nome.
O cabo, que tem na algibeira os Contos campesinos, duvida da identidade do viajante.
Antonio de la Trueba quer sahir-se d'estes apertos, e appella para um expediente extremo.