No correr do dialogo insinuára o cabo que Antonio de la Trueba devia de ser um homem de bem, porque o estylo é o homem; mas que se via obrigado a vedar-lhe a passagem até obter uma prova da sua identidade.{51}
«Pois se o estylo é o homem—replicou Trueba—deixe-me recolher á casa da guarda onde escreverei um conto. Está costumado a lêr os meus livros; reconhecerá o homem no estylo.»
O alvitre foi aceite.
Trueba escreveu o conto, que era simplesmente a historia interessante da sua inesperada jornada, historia admiravel de sentimento e singeleza.
O verdadeiro conto está n'essa narrativa. O guarda ouviu attento, e, terminada a leitura, disse apenas estas palavras:
—D. Antonio de la Trueba, póde partir.
Na opinião do author dos Contos campesinos tres cousas ha que teem uma physionomia unica,—a letra, o rosto e a alma.
Procurem disfarçal-as; o observador intelligente ha-de sempre conhecel-as. A mascara ha-de cahir perante a observação,—ou véle o espirito ou cubra as faces, tanto importa. O estylo é o homem,—a alma é o temperamento, o que não se palpa é o que se vê, o eu subjectivo e o eu objectivo. Por isso o estylo é mais perfido do que a onda,—atraiçôa.
A alma é a luz; o corpo a lampada. O estylo é o reflexo que parte da chamma e que ao atravessar o candelabro mostra a transparencia do crystal ou o espelho scintillante do ouro.
Que o estylo era o paiz, o clima, mostramol-o no capitulo antecedente, porque o homem, como os rios, reflecte a côr do céo sob que nasceu.{52}