«A mistress Isabella Campbell:
Adeus, madrinha, amo-te.
28 de novembro de 1871.
Acabamos de commungar, mr. Passa e eu, e Deus abençoou a nossa communhão.
Posso dizer que é a primeira vez que commungo, e estou extremamente agradecido a Jesus Christo, que nos deixou este symbolo.»
Sentindo nas veias o frio do tumulo, momentos{181} depois de ter recebido a particula sagrada, um dos mais commoventes e sublimes actos da religião christã, perante o qual se sentem impressionados os mais duros corações, ao qual ninguem póde assistir sem chorar,—Rossel não mentia.
Depois da patria, como elle amava a familia!
«Não posso supportar—escrevia no carcere—que se faça soffrer meus paes. Pelo que me respeita, tenho a epiderme dura, e estou tão pouco preoccupado com a eventualidade d'uma morte imminente, que a mim mesmo pergunto muitas vezes se não será uma insensibilidade doentia da minha parte. Mas o que não concebo, é que differindo sempre uma resolução, dissimulando a decisão que já esta tomada, façam soffrer uma longa agonia a meus paes, que não commetteram outro crime que não fosse o de me ensinarem a amar o meu paiz.»
São docemente dolorosas estas palavras:
«A vista de meus paes magoa-me. Hontem contava-me minha mãi os passos que deu na vespera; de repente interrompe-se: «Não posso mais! já nem me lembro! estou douda, vês tu!» Minha irmã, que estava mais serena, continuou a narração, que eu não pude ouvir. Eu via-os, eu ouvia-os; eis tudo; pouco me importava o resto. Hoje era minha mãi que estava serena e minha irmã que parecia louca. Todavia nós estavamos tranquillos hontem á noite. Mr. Passa havia-nos socegado!