O estado-mixto dos escriptores e dos artistas soffre tambem excepções, e n'ellas deve ter grande parte a hereditariedade.

Agora nos occorrem tres:

Um escriptor robusto, bem humorado, infatigavel—Alexandre Dumas, pai.

Um maestro todo alegria e saude,—Rossini.

Um pintor, cheio d'animação e de vida, em cujos quadros tudo é louro e rosado,—Rubens.{16}

Se estas excepções prejudicam por um lado a regra geral do estado-mixto, por outro tendem a provar que o estylo é a organisação—a doença ou a saude.

O vigoroso estomago de Alexandre Dumas, de cuja propriedade elle tantas vezes se ufanava, está, deixem-me dizel-o, nos seus livros.

A charis phytalmos, de Pindaro, revela-se no Guilherme Tell de Rossini.

De Raphael basta citar as Virgens, que mereceram a Michelet estas palavras: «Virgens enormes, rosadas, refeitas, escandalosamente bellas.»

Ponhamos ponto, para comecarmos a fallar de escriptores portuguezes. Principiemos por um que tem um triste direito a ser o primeiro—porque morreu doudo.{17}