Deixamos a Murgeira a prantear o seu Orpheu. O tenente foi almoçar comigo. Investindo com o linguado frito, falamos do Zé Ratinho.
—Olhe que a lembrança da flor nas cordas da guitarra não deixa de ter certa delicadeza! observei eu.{162}
—Qual historia! chalaçou o tenente. Mas que flor... uma dhalia! É um cumulo de delicadeza saloia. E, rindo, acrescentou: Deite cá mais linguado, que está melhor do que a Libania.
Decorridos tres dias, á mesma hora, passa o tenente Silverio. Encontra-me a comer outro cacho de uvas.
—Venha d'ahi.
—Aquillo ainda ha de estar lutuoso. A morte de um Orpheu pede um triduo de lagrimas.
—Ora adeus! Isso já lhes havia de passar.
—Quem sabe?
—Sei eu.
—Como sabe?