—De sciencia certa.
—N'esse caso vamos lá.
Fomos. Apeámos á porta da taverna. O tenente metteu logo por um atalho para ir ter com a Libania ao lavadoiro. Muito satiro, o tenente. Eu fiquei na taverna a dar dois dedos de cavaco ao taverneiro.
Ouvi-lhe ainda muitas historias do Zé Ratinho. Uma d'ellas, principalmente, tinha o seu quê de phantastica.
Durante a noite haviam ficado a velar o cadaver os rapazes mais afoitos da Murgeira. Ás duas horas da noite, coube a vez ao Joaquim Prado, um latagão forte como um Castello. Estava elle pensando na triste sorte do Zé Ratinho, e na orphandade irreparavel da sua guitarra,{163} quando de repente principiou a guitarra a tocar um fado muito triste e soluçado.
—Ora pelos modos, acrescentou o taverneiro, era a alma de Zé Ratinho que estava tocando guitarra pela ultima vez.
—Então o Joaquim Prado ouviu isso? Adormeceria elle, e estaria sonhando?...
—Essa é boa! Não ha homem nenhum, por mais afoito que seja, capaz de dormir ao pé de um morto. O Joaquim ouviu mesmo tocar a guitarra, bem acordado que elle estava, e só com dez réis de aguardente que tinha bebido ahi n'esse mesmo logar em que vocemecê se assentou. Poz-se em pé, logo que a guitarra começou a tocar, e não viu ninguem. O Zé Ratinho estava morto e bem morto: não se mexia.
N'isto chegava, com um certo ar dominador, o tenente Silverio.
O taverneiro commentava: