—Pudesse ella aprender com as pavôas! disse eu depois ao visconde.

—Ella, respondeu-me elle, tambem as tem em casa, mas não se dá ao trabalho de aprender coisa nenhuma.

—Pois eu aprendi.

—Que aprendeste tu?

—Aprendi a conhecer o cathecismo moral das pavôas, livro que muitas mulheres desconhecem.

—És um ingenuo! exclamou o visconde, desfechando-me na cara uma ruidosa gargalhada escarninha.

Aqui teem a minha historia.

D. Christina ouviu-a imperturbavel, serena, como se o seu coração fosse de marmore.

Em contraposição, a bondade do brazileiro revelou-se mais uma vez.

—Parece impossivel, disse elle, como ha pais que despresam os filhos, quando até as avesinhas ensinam a amal-os! No Brazil vi um passarinho chamado João de Barros, muito estimado lá porque annuncia de que lado ha de soprar o vento todo o anno, que faz com barro o ninho do feitio{180} de um forno. Se alguma ave de rapina lhe quer ir comer os filhos, e tenta enfiar a cabeça pela porta do ninho, tanto elle como a femea dão-lhe bicadas até que fuja ou morra.