N'isto fui abruptamente interrompido pelo Vasconcellos:
—Meninos, apostrophou elle, olhem que a Pena já começa a pôr o seu barrete de nevoa. É a toilette de noite. Vamos indo para baixo. Depois de jantar se acabará o conto.
—Depois de jantar vamos ouvir os rouxinoes, atalhou o Gonçallinho.
—Isso é lá como quizerem. Que não esqueça o fio da historia. O Muxagata estava na feira e queria dinheiro—como eu.
—Como nós todos! gritaram uns poucos.
—A burro e ao jantar! commandou o Vasconcellos.{21}
III
—Ó filho! pelo amor de Deus! deixa os rouxinoes para ámanhã, dizia o Vasconcellos, depois de jantar, ao Gonçallinho Jervis.
—Aqui da janella não se ouve nenhum! Já estive á escuta.
—Pudera! Imaginavas então que uma tão poetica ave principiava a amar logo depois das ave-marias, como um caixeiro que fecha a loja e vae metter-se n'uma escada a gargarejar para defronte! Tem juizo, Gonçallinho. Para irmos a Collares ouvir os rouxinoes, precisavamos ter prevenido os trens. Deixa isso para ámanhã, e vamos á historia do Muxagata.