Tal foi—exclamava o Leotte enthusiasmado—a improvisação do grande, do immortal Barcellos n'uma noite da botica. E todas as outras noites eram assim.

—Ó homem! atalhei eu. Vae deitar-te e deixa-me dormir, que são duas horas da noite!{68}

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VII

Depois de um terceiro dia passado no mais delicioso pantheismo vadio de que ha memoria, e em que o Leotte, sempre intrigado com a historia da criada, houve por bem, malgrê lui, acompanhar-nos, reunimo-nos, depois de jantar, no salão do Victor para continuarmos os nossos serões litterarios, a que, seja dito de passagem, já todos mais ou menos iamos tomando gosto.

As reluctancias que alguns, a principio, manifestavam, quando o presidente Vasconcellos e o sabio congresso os intimavam a falar, iam desapparecendo. Com mais um mez de Cintra, saía d'ali um enxame de oradores. Que desgraça, se tal acontecesse!

Durante o dia, mettemos á bulha o Leotte por causa do seu supposto achado de uma fidalga na cozinha do Victor. Elle estava um pouco azoinado{70} com a nossa troça. E, por orgulho ou convicção, promettia, protestava tirar o caso a limpo.

Já n'aquelle mesmo dia, pela manhã, apesar de se ter deitado tarde como eu, havia trocado com a rapariga algumas palavras, poucas: e ella asseverara-lhe, dizia elle, que havia falado verdade na vespera.

—A rapariga tem um certo ar de ingenuidade, que me convence! insistia elle.

—Contou-te o seu romance, como todas, exclamou o Vasconcellos. Parece que não conheces o genero! Muito tolo és!