Do Leotte sabia o Vasconcellos que não viriam phantasias, fabulações romanticas; que, pelo contrario, quando o Leotte falasse, seriam assumpto obrigado as mulheres. Ora no conto do Gonçallinho, segundo a expressão do Vasconcellos, nem meia mulher apparecia.{81}

VIII

Foi pois o Vasconcellos, que n'essa noite excedia o seu bom humor habitual, quem lembrou que, para contrapor ao Gonçallinho, só havia um homem entre nós, e que esse homem era o Leotte.

Estavamos n'isto, quando o Victor, dono do hotel, appareceu á porta da sala, pedindo-nos licença para entrar.

—Era negocio urgente, dizia elle.

Convidámol-o a entrar, sentar-se, e dizer.

No fim de contas, o negocio era simples.

Do proprietario do Hotel Braganza, de Lisboa, recebera elle um telegramma pedindo-lhe que na manhã seguinte tivesse promptos, pelo menos, um quarto e uma sala, contigua ao quarto, para um brazileiro e sua esposa.

Precisava portanto que um de nós, o Maldonado, mudasse de aposento, porque occupava justamente o que preenchia aquellas condições.{82}

Despachado favoravelmente o requerimento, logo. A uns alegrou—e foi d'este numero o Leotte—a chegada de novos hospedes, especialmente de uma mulher; a outros, que estavam saboreando a liberdade da solidão, contrariou a noticia. Eu pertencia a estes ultimos.