Apanhando o Victor a geito, falámos-lhe na criada fidalga, como nós diziamos. Pedimos informações.

—Ella conta sempre essa historia, acho eu, disse-nos o Victor, mas isso tem-me interessado pouco. São lá coisas dos criados uns com os outros. O que eu posso dizer é que a Rosa tem, effectivamente, algum ar de não ser tão grosseira como as outras criadas. Mas, se v. ex.as o desejam, perguntem-lhe a ella mesma por isso, quando quizerem, menos hoje, porque ella está engommando roupa. Póde ser ámanhã ou quando v. ex.as quizerem, se fazem tenção de se demorar.

Agradecemos a concessão que o Victor nos fizera, naturalmente para equilibrar a concessão que nós lhe fizemos do quarto do Maldonado.

O Leotte estava triumphante: que não se tinha enganado; que já iamos vendo que quem tinha razão era elle, porque o proprio Victor confessára que a Rosa não era tão grosseira como as outras criadas.

E alegre por esta revelação, teve ainda menos duvida do que a principio em contar uma tolice qualquer que lhe lembrasse, dizia elle.{83}

—Vou-vos dizer um caso engraçado e verdadeiro, annunciou o Leotte.

—Isso é que se quer, approvou o Vasconcellos.

—-Com mulher? perguntou o Maldonado.

—É dos autos... respondeu o Leotte. Toujours la femme.

—A historia do conde? perguntei eu.