Ao cabo d'oito dias a menina mostrava-se doente. Graça Strech tremeu da tristeza da criança, e perguntou-lhe o que tinha.

—Faz-me medo estar no cemiterio! respondeu Augusta chorando.

—Tens razão, filha, disse Graça Strech. Mas o que havemos nós de fazer agora no mundo todos trez?

—Eu toco a minha harpa, tornou com vivacidade a pequenita. O papá toque a sua guitarra. Giovanni vae comnosco.

Graça Strech não teve animo de recusar.

—Voltemos então a França, alvitrou elle. Eu vi a sepultura de tua mãe; quero agora vêr o seu berço. Iremos ás Ardennas.

—Mas as Ardennas não são tão tristes como o cemiterio, pois não? perguntou ingenuamente Augusta.

—Não são, filha, não são. Para tua mãe eram o paraizo d'onde eu a expulsei.

Foram musicando. Notavam-se entre todos os virtuosi, além da maguada sympathia que filha e pae inspiravam, pela melancolia do seu repertorio. A guitarra d'elle e a harpa d'ella falavam a linguagem da saudade. Se o publico as ouvisse no Campo Santo de Napoles, á beira d'um cómoro, devia comprehendel-as.[{186}] Estiveram nas Ardennas, onde os camponezes sahiam em ranchos a ouvil-os. Alguns d'elles, vendo o guitarrista esquecido a olhar para o cimo das montanhas, com o braço paralysado, diziam entre si:

—Aquelle homem não tem a razão clara!