Passando-se depois a Pariz, encetaram o viver errante dos passaros. Graça Strech tirava do amor com que idolatrava a filha as forças com que vivia, e tinha desvairamentos nervosos se se demorava a contemplar-lhe as faces pallidas, da meiga pallidez da irmã, e os olhos fundos e brilhantes.

Quedava-se a olhar n'ella com a fronte banhada de suor frio.

—O papá gosta tanto de me vêr! exclamava a menina ao mesmo passo carinhosa e amedrontada da sombria physionomia do pae.

—Gosto, filha. É que eu sou pae e desgraçado! Se tu morresses, enlouquecia.

—Eu não morro. O papá não diga isso, que me faz medo. Deixe-se de estar a pensar, papá! atalhava a menina. Ó Giovanni, traz a harpa; não estou contente senão quando a tenho ao pé de mim! O papá não ralhe, porque eu sou muito sua amiga tambem.

Decorreram os annos. O botão de rosa fez-se flôr. Flôr melancolica como as que pendem aos sarcophagos.

Graça Strech procurava suavisar quanto lhe era possivel a sua continua peregrinação. A menina, tomada de febril impaciencia, dizia ao pae que havia de morrer no caminho tocando harpa. E acrescentava:

—Bem diz o papá: nós somos como os passaros. Elles tambem só parecem alegres quando voam!

No inverno de 1824—tinha Augusta quatorze annos—começou a soffrer do peito.

Estavam de novo em Londres.