—Parece-me mal, respondeu ella, porque já vi os trez imperadores.
Como se sabe, é esta uma designação vulgar da batalha de Austerlitz, onde estiveram os dois imperadores já nomeados, completando Napoleão a trindade coroada.
Rosina seria pois a andorinha da caserna se não[{53}] fosse antes a mariposa do acampamento. Tinha um pouco da floresta, seu berço, e um pouco do quartel, seu ninho. Estes poucos fizeram o todo. Tinha a pureza da vegetação virgem, a suavidade inculta da floresta, e ao mesmo passo o destemor da vivandeira, a facilidade de morder um cartucho de polvora e de cantar uma canção marcial. Na alma tinha os murmurios das correntes patrias; nos olhos o brilho da polvora.
Era, n'uma palavra, a pastora tornada vivandeira. Respeitava-a todo o regimento e conhecia-a todo o exercito.
Quando o seu velho protector morreu, um anno depois de Austerlitz, ella acompanhou-o com os camaradas á sepultura, e, como limpasse furtivamente duas lagrimas, disse-lhe um dos soldados:
—Pois tu choras, Rosina, tu, a que viste os trez imperadores?!
E ella, voltando-se de subito, respondeu:
—Não choro eu, chora a França.
Porfiaram os soldados em escolher-lhe novo protector; todos a estimavam a ponto de querer adoptal-a. Por fim decidiu-se que Rosina cortasse o nó gordio. Ella observou:
—Os meus paes eram os que morreram; já não posso ter outros. Serei portanto de hoje em deante filha do regimento. Para onde elle fôr, irei eu; onde estiver, estarei tambem.