—Porque choram ás vezes.
—Ainda a não vi chorar!—E, como se instantaneamente deixasse resfolegar o rancor latente no coração, acrescentou:—A polvora queima os olhos e o coração, e Rosina é quasi um soldado... francez.
—Olhe que se contradiz! observou ella maviosamente.—Esquece-se de que tambem é soldado e chora...
Graça Strech caiu em si e deu-se pressa em attenuar o mau effeito das suas palavras:
—Tem razão. A desgraça dá esta incoherencia aos pensamentos...
—Julga-se então muito desgraçado?
—Pungente ironia que só pode vir... d'ahi! retrucou sobremodo exaltado o convalescente. Pois pergunta-se a um prisioneiro, a um ferido, a um homem mil vezes deshonrado, se é infeliz? Onde aprendeu esse cynismo de vivandeira? Onde havia de ser! Na taberna e no quartel. Só lá é que se fala assim...
E, como ella chorasse á beira do catre:
—Sabe que eu ainda não estou inteiramente curado,[{60}] Rosina? Parece-me que deliro ás vezes! Agora delirei eu. Não... não delirei. Conheci que era mais piedosa do que as outras mulheres... Quiz ver até onde chegava a sua sensibilidade... Perdõe-me a experiencia... Vejo que ainda tem lagrimas... sim... tem lagrimas... não posso duvidar... está chorando!
—Não seja mau para mim, soluçou Rosina Regnau. Eu tive pena de vêr o senhor a lêr e a chorar... De mais a mais fui eu que lhe dei as cartas para a mão no dia em que o senhor veiu e parecia pedir-m'as... Pois não se lembra?