Mettida a garrafinha entre a fardeta, começava o processo inalteravelmente observado todos os dias.
Encontrando um amigo da primeira classificação, abeirava-se d'elle e, pondo a mão no peito, perguntava:
—Voulez-vous la goutte?
O amigo bebia até ao meio, porque elle não consentia que fosse mais longe. Depois, segunda dynamisação, outra vez a garrafa cheia; e, succedendo-se as dynamisações aos amigos, pela ordem por que os tinha classificado, acontecia que os simplesmente conhecidos bebiam agua commum passada por uma vasilha que tivera aguardente.
—Não merecem mais! dizia Bénard. Estes só teem pela gente um cheiro de interesse.
Era pois La goutte uma personagem lendaria no exercito francez, e já passava em proverbio dizer-se, quando se era mal servido:
—Eu sou conhecido do Bénard.
Rosina Regnau, ao vel-o ferido, sentiu-se propellida a dolorosa piedade. Estava alli La goutte, que ella tantas vezes vira desde a sua infancia, e de quem tantas vezes se rira na edade em que toda a excentricidade nos parece ridicula.
E todavia o Bénard era um philosopho profundamente conhecedor da alma humana. D'uma vez perguntaram-lhe:[{103}]
—Se encontrasses o imperador, como o consideravas?