Foi ahi por alguma copada sombra das margens do Mondego, onde, como disse Gabriel Pereira de Castro, o rio

... nas voltas se mostra arrependido
De levar agua doce ao mar salgado,

que Rosina Regnau e Graça Strech descançavam n'uma das ultimas tardes d'agosto.

Aproveitavam sempre as horas feriadas do serviço militar para essas excursões, reguladas pelo toque das cornetas no quartel, porque só onde a sombra os escondesse poderiam dialogar, os dois, sem que ouvido estranho traísse o segredo da mudez de Rosina.

Ahi se indemnisava ella dos longos silencios a que era constrangida, e assim se foram estreitando os laços, que já tão cingida tinham a imagem da felicidade n'um e n'outro coração.

N'essa tarde Rosina Regnau intencionalmente encaminhou o dialogo para o episodio da morte de Bérnard, e a ponto veiu recordar as palavra de Graça Strech: «Tudo que penso e sinto te direi».

—Ah! não sabes, disse ella subitamente exaltada pelo ardor da vivandeira, que do cumprimento da[{113}] tua promessa depende a realisação da minha felicidade!...

—Pois duvidas?...

—E não duvidaste tu de mim, quando em Alcantara soccorri o pobre La goutte?

—Perdôa-me...