D'outra vez chamou um polhastro e industriou-o a fingir-se vendilhão, levando no fundo de uma panela excremento humano. O rapazola apregoava, como o Chiado lhe ensinou: «Quem merca isto?» Alguns curiosos queriam ver o que era para comprar. E, reconhecendo a mercadoria, diziam por claro o nome que se lhe dá. O polhastro respondia enfadado: «Pois não é outra cousa.»


Vem agora uma anecdota geralmente attribuida a Bocage, mas que não póde ser sua, pois que o manuscripto d'onde a tomamos é anterior a 1617 e portanto quasi seculo e meio anterior ao nascimento de Bocage.

Entraram ratoneiros em casa do Chiado, e levaram-lhe o melhor que tinha. Elle viu-os a tempo de poder gritar por soccorro; mas, em vez de bradar, poz ás costas o refugo que lhe deixaram e foi-os seguindo derreado sob a carga. Os gatunos, espantados, fizeram alto e perguntaram-lhe para onde ia. O Chiado respondeu tranquilamente: «Venho vêr para onde nos mudamos.» Com o que desarmou a audacia dos amigos do alheio que, rendidos á chalaça, lhe restituiram o bom que levavam.


Quando alguem queria engendrar uma bréjeirice, ia ter com o Chiado, que era padre-mestre na materia.

Por isso o consultaram certos vaganaus sobre a «partida» que deveriam fazer a um mulato fôrro que andava por Lisboa, e a quem tinham asca por ser valentão e soberbão.

Aconselhou os o Chiado a que, logo que entrasse alguma nau ingleza, lhe dessem aviso.

Chegou a occasião, veiu um navio inglez e o Chiado, fingindo-se fidalgo, foi a bordo com alguns d'aquelles tunantes, que dizia seus criados.