Na fronteira, D. Diogo Lopes Pacheco, duque de Escalona, e D. Pedro da Costa, bispo de Osma, fizeram entrega da princeza aos embaixadores portuguezes.

D. Joanna entrou por Elvas, e d'ahi, após breve demora, seguiu em jornadas até ao Barreiro, onde D. João III a foi esperar para acompanhal-a a Lisboa.

O professor Manuel Bento de Sousa poz em relevo a fatalidade pathologica que desde o berço condemnou D. Sebastião aos desatinos que veiu a praticar em detrimento e ruina do paiz.

«D. Sebastião, diz o illustre e fallecido professor, é pela mãe neto de um epileptico[[16]], e a accumulação da hereditariedade morbida verificou-se sem perturbação.

«Sua mãe é filha de epileptico e neta de doidos[[17]], sua avó é irmã do mesmo epileptico e filha dos mesmos doidos, sua bisavó é irmã e filha do mesmo epileptico e dos mesmos doidos. Seu avô, por consequencia, é neto de doidos, e seu pae é bisneto dos mesmos doidos.

«Como exemplo de nevropathia accumulada por herança não ha melhor[[18]]

[16] O imperador Carlos V.

[17] Joanna a Doida e Filippe I, leviano, perdulario, incapaz de governar.

[18] O Doutor Minerva, pag. 198.

Sobre a inconveniencia physiologica dos casamentos consanguineos, repetidos de geração em geração entre as casas reaes de Portugal e Hespanha, vieram accumular-se, pelo enlace do principe D. João com a princeza D. Joanna, as taras hereditarias da epilepsia e da loucura que os dois desposados, primos co-irmãos, tinham recebido dos seus proximos ascendentes communs.