A mãe de D. Sebastião deu provas de uma exaltada hysteria, com allucinações pavorosas, durante o periodo da gravidez.
Este casamento precipitou a morte do principe D. João e aggravou as taras da princeza D. Joanna.
Eram duas creanças, ella de 18 annos[[19]] elle de 16[[20]], doentes dos mesmos vicios constitucionaes, e apaixonados um pelo outro. Não conheceram limites ás suas relações amorosas, entregaram-se a uma «demasiada communicação» dilacerando-se carinhosamente em extremos de prazer insaciavel.
[19] D. Joanna tinha nascido a 23 de junho de 1535.
[20] D. João nasceu em Evora a 3 de junho de 1537.
O principe ardia n'um fogo de voluptuosidade, que o devorou prematuramente. Foi preciso separal-o da princeza, mas já era tarde. Estava perdido na flor dos annos.
Os medicos d'aquella epocha classificaram a doença de--paixão hebetica. Os chronistas explicam que o enfermo sentia uma sêde devoradora; e D. Manuel de Menezes, na chronica que lhe é attribuida, filia esse phenomeno pathologico no desregramento dos prazeres carnaes.
Ora o hebetismo--segundo a medicina do nosso tempo--é um estado morbido, que inutiliza as faculdades intellectuaes, sem comtudo inutilizar a acção dos sentidos: uma especie de embrutecimento devido a commoção cerebral[[21]].
[21] Dict. de medicine, segundo o plano de Nysten, refundido por Littré e Robin.
Assim devia ser, pois que o principe D. João precipitára a crise dos seus males hereditarios com um exgotamento nervoso.