Acompanhados pela sr.ª D. Anna Corrêa, dirigimo-nos, o sr. Adriano Trêpa e eu, para a casa onde morreu Camillo, a qual está actualmente deshabitada, com excepção do pavimento terreo, que é residencia do caseiro.
Aberto o portão, entramos na sombra de uma latada de alvaroco, cujos cachos brancos pendiam vagamente doirados por tenues raios de sol, que as folhas verdes coavam.
Olhei logo para um recanto, á esquerda, onde eu sabia existir [o monumento commemorativo da visita de Castilho, «o principe da lyra portugueza», a S. Miguel de Seide, em julho de 1866].[{16}]
Castilho, que partira de Lisboa acompanhado por seu filho Eugenio, tinha alli, n'aquelle torrão do Minho, uma côrte de letrados, verdadeira côrte n'aldeia, a render-lhe homenagem: compunham-n'a Camillo, Anna Placido, Thomaz Ribeiro e Vieira de Castro.
[A inscripção está quasi apagada, como já se apagou tambem a vida das pessoas a quem ella se referia.] Cresceram hervagens e ramos que sombriamente afogaram o monumentosinho. Parece um tumulo esquecido na solidão de um cemiterio.
Recordei então Maria Moysés a Thomaz Ribeiro].
Quando eu estava olhando para aquella pedra triste, visinha silenciosa de uma casa não menos triste, assomou ao portão um individuo, que desconheci, um velho rijo, de physionomia agradavel, cujo trajo me denunciou logo o camponez polido.
A sr.ª D. Anna Corrêa apresentou-m'o, pois que o sr. Trêpa já o conhecia: era o sr. Francisco Corrêa de Carvalho, dedicado amigo de Camillo, quasi familiar na casa de Seide, e proximo visinho.
Como notasse que eu estava olhando para o monumento, o sr. Carvalho, muito expansivo, contou logo que um dia, nos ultimos annos da vida de Camillo, parára um trem ao portão, o que deu rebate de uma visita inesperada, facto que de longe a longe acontecia.
Camillo preparou-se para receber algum amigo; mas não apparecia ninguem. Sahiram varias pessoas, entre ellas o sr. Carvalho, a averiguar o extraordinario[{17}] caso da carruagem, que parecia ter vindo vasia e parado ali sem destino.