RACHEL
Foi n'esse mesmo andar que [Jorge Castello Branco, o infeliz primogenito de Camillo], passou os ultimos tempos da sua curta existencia.
Contou a sr.ª D. Anna Corrêa que elle tinha horror a vêr os criados da casa. Postas as refeições sobre a mesa, os criados sahiam; e o Jorge entrava depois. Algumas noites prestava-se a tocar piano—esse piano que era de sua mãe e que ella havia levado para a Cadea da Relação do Porto—mas exigia que ninguem estivesse presente. A musica foi uma das muitas aptidões artisticas do Jorge. Eu já disse algures que elle, em noites de luar, se empoleirava nas arvores de Seide a tocar flauta.
Queria viver isolado no seio da propria familia. Não consentia que lhe fizessem limpeza no quarto. Se alguem se quizesse aproximar, cuspia-lhe.
No dia 2 de setembro de 1900, o Jorge não se levantou para ir almoçar. A porta do seu quarto estava fechada por dentro, como era costume.
A sr.ª D. Anna Corrêa chamou-o:
—Sr. Jorge, são horas do almoço.
Elle respondeu:
—Já vou.