Pois, srs. Dons Leonardos, em verdade vos digo que foram grandes homens esses que eu conheci n'outro tempo, que conheci e amei, e que vós sois muito mais pequenos que elles.

Este mesmo Eugenio de Castilho, fallecido ha quasi um anno, não chegou a ser grande, porque lhe faltou apenas a validez; o talento, não.[{66}]

Mas, no breve momento em que se demorou nas letras, honrou, como vergontea, a arvore gloriosa dos Castilhos, florindo como poeta, que promettia futuro.

Hoje dorme o somno eterno na terra da Patria, que elle amava tanto, e se os mortos pensassem, julgar-se-ia certamente feliz por ter encontrado descanso aos seus tormentos na mesma terra em que o pae nasceu e amou primeiro.

*
* *

Tinha eu treze annos, quando um quintanista de direito, Manuel do Nascimento de Azevedo Coutinho, natural de Sinfães, passando pelo Porto, recitou em casa de meu pai trechos de um poema que, segundo a sua propria informação, estava causando o maior enthusiasmo em Coimbra.

Os estudantes sabiam-n'o de cór, e até o doutor Férrer, dando descanço ás Ordenações e ao Digesto, repetia estrophes aos rapazes quando os encontrava á tarde no Penedo da Saudade.

Era o cumulo do enthusiasmo coimbrão.

O quintanista Nascimento, um duriense de olhos pretos, vendo-se comprehendido por um grupo de senhoras que o escutavam, ia procurando na memoria excerptos do poema e recitava-os contente de espalhar em torno de si, como um perfume de rosas, a inspiração delicada do poeta que toda a academia já tinha sagrado em Coimbra com a agua lustral do Mondego.

Esse poema era o D. Jayme, de Thomaz Ribeiro.