Retrato de THEOPHILE GAUTIER que pertenceu a Camillo
Quando elle partiu para o Brasil, a Mala da Europa quiz dar um numero commemorativo, que chegasse ao Rio de Janeiro no mesmo paquete que o auctor do D. Jayme. Por doença de um dos seus redactores effectivos, o proprietario do periodico, Delfim Monteiro Guimarães, já hoje fallecido, precisava de quem lhe fizesse rapidissimamente a maior parte d'esse numero. Procurou-me, e pediu-me que me encarregasse eu d'essa ardua tarefa—ardua pela estreiteza do tempo.
Como se tratava de Thomaz Ribeiro, não tive animo de recusar e, durante quarenta e oito horas, trabalhei afanosamente, tomando café para espertar-me, conseguindo não faltar ao encargo que acceitei e á palavra que tinha dado.
Eu sou a pessoa menos competente para escrever um artigo de critica literaria a respeito da obra de Thomaz Ribeiro.
Vejo-o sempre, apaixonadamente, através de agradaveis recordações da minha mocidade.
Não sei, não posso vel-o de outro modo.
Dou-me, portanto, como suspeito.
Mas creio que, para a apreciação de um escriptor ou de um artista, os criticos téem menos auctoridade do que o publico.
Se esse escriptor ou esse artista conquistou a opinião geral, se recebeu uma consagração nacional, a sua reputação é inabalavel, a despeito do voto adverso dos criticos.
Ora Thomaz Ribeiro, cujos poemas foram discutidos, tornou-se o mais popular poeta do seu tempo. Teve a opinião publica fechada na mão; dominou-a completamente. E, ainda ultimamente, os que queriam ser-lhe desagradaveis repetindo versos seus, justificavam, sem querer, a sua popularidade e, sem querer, a propagavam.