Na India portugueza, onde anteriormente estivera como secreterio geral do governo da provincia, Thomaz Ribeiro foi encontrar admiradores por toda a parte.

Tenho deante de mim um romance indiano, Beatriz ou os mysterios da ultima revolta em Goa, escripto por Fernando de Goa (certamente pseudonymo) e publicado em Lisboa no anno de 1885.

No 2.º volume, encontro, entre outras referencias a Thomaz Ribeiro, este periodo:

«O secretario, aproveitando este ensejo, affastou-se d'ali, metteu-se na machila e fez-se transportar a Caranzalem, a fim de fazer as suas visitas ás familias das suas relações que ali se achavam a banhos, e entreter parte da noite n'uma ou n'outra casa, onde suspiravam pela sua chegada, para terem o prazer de ouvir uma conversação animada, cheia de atticismo, de poesia, e ao mesmo tempo recamada das mais brilhantes e conceituosas phrases.»

A praia de Caranzalem, proxima do Mandovi, n'uma linda enseada a quatro kilometros da capital, é o balneario aristocratico da India portugueza, é Cascaes do Oriente.

Em todo o reino de Portugal, na India, no Brazil, em toda a parte onde se falla a lingua portugueza, Thomaz Ribeiro, por ser o auctor do D. Jayme, encontrava um fervoroso culto de enthusiasmo e adoração.

Era uma justa retribuição da consciencia publica aos[{72}] sentimentos patrioticos do poeta, que dedicadamente amou o seu paiz, cantando-lhe as bellezas e as glorias, no Occidente e no Oriente, e que, no territorio portuguez, se algum rincão distinguiu com especial affecto, foi o seu districto natal, Vizeu, e em Vizeu a aldeia garrida onde nascêra, Parada de Gonta:

Que fresca aldeia formosa
Nas margens do meu Pavia!

Morreu na terra da patria, e n'isso lhe fez Deus a vontade:

meu vergado pomar d'um rico outomno,
sê meu berço final no ultimo somno.