O romantismo, vocabulo que eu apenas acceito convencionalmente como expressão chronologica para designar determinada época literaria, e não como caracterisação psychologica d'um estado d'alma, que é commum a todas as gerações, e, portanto, eterno; o «periodo romantico», ia dizendo, teve ao menos de grande e nobre o seu amor ao paiz, affirmado solemnemente na celebração das glorias e das tradições portuguezas, desde Alexandre Herculano até Thomaz Ribeiro.
Hoje é moda rir de tudo, em prosa e verso, especialmente do paiz.
Literariamente, ainda falta encarar o auctor do D. Jayme sob outro ponto de vista: como recitador.
Trez homens conheci eu incomparaveis no primor com que sabiam dizer versos: Castilho, Thomaz Ribeiro e Gonçalves Crespo.
Quanto a Thomaz Ribeiro, sempre me ha de lembrar o que se passou uma vez, sendo elle ministro do reino, na commissão de instrucção secundaria da camara dos deputados.
Discutia-se um projecto de reforma do respectivo ensino.
Apenas dois membros da commissão se oppunham tenazmente[{73}] á resurreiçao do exame de madureza: eram o sr. José Borges de Faria e eu.
N'essa reunião nocturna, que se effectuou no edificio do governo civil para maior commodidade de todos, a discussão corrêra violenta e azeda.
Nada se tinha resolvido ainda, quando foi servido o chá, que veiu da casa Ferrari.
Então, durante essa pausa obrigada, não sei quem se lembrou de pedir a Thomaz Ribeiro que recitasse O tear da rainha.