Tive receio de que a recordação d'essa acerba polemica estivesse ainda muito viva no espirito da sr.ª D. Anna Rosa Corrêa.
Adoptei por isso a precaução de apresentar-me sob o nome que primeiro me lembrou, ao solicitar o obsequio de ser recebido como admirador fervoroso de Camillo.
Acolheu-me gentilmente a dona da casa, que immediatamente chamou alguns de seus filhos, não todos,[{9}] porque dois d'elles, Camillo e Manuel, tinham sahido pela manhã.
Notei que por vezes a sr.ª D. Anna Corrêa, mãe d'aquellas creanças herdeiras de um nome glorioso e de pouco mais, me observava com certa curiosidade.
Soube comtudo manter-se n'uma discreta reserva, não arriscando duvida alguma sobre a minha identidade.
Fingiu acreditar que eu era «um Araujo» admirador de Camillo, desejoso de conhecer os netos do grande romancista e de visitar a casa onde elle morreu.
Apresentou-me Flora, sua filha mais velha, quinze annos de idade, alta e elegante como um pinheiro novo, de uma simplicidade de maneiras ao mesmo passo graciosa e senhoril; e Rachel, quatro annos mais nova, cujo vago olhar revela morbidez e melancolia.
—Esta menina, disse-me a sr.ª D. Anna Corrêa, era a predilecta da avó.
—Aventuro-me a conjecturar, respondi eu, que o nome de Rachel foi escolhido por Camillo.
—Isso mesmo... confirmou a minha amavel interlocutora esboçando um sorriso. Nós queriamos que se chamasse Anna, como a sr.ª viscondessa, mas o sr. visconde (Camillo) oppoz-se, dizendo que esse nome era infeliz na familia. Referia-se á sr.ª viscondessa e a mim...