N’aquelle mesmo dia foi Branca, de Navarra, reconduzida ao castello de Orthez, onde permaneceu encerrada mais de dois annos, sob a vigilancia de uma dama da condessa de Foix, que acabou por envenenal-a.
Todos os chronistas hespanhoes têem phrases de maviosa compaixão para com a memoria da infeliz Branca. Citaremos apenas dois, Zurita, o chronista de Aragão, e Flores, o chronista das rainhas castelhanas. Zurita recorda que ella fôra repudiada pelo marido, perseguida pela irmã, e abhorrecida pelo pae, e que não teve mais em quem depositar a sua ultima esperança senão o homem de quem maior affronta havia recebido. Flores lembra que os ultimos suspiros d’esta desventurada princeza «foram echos no céo para os desgraçados fins dos condes de Foix, e dos seus descendentes», acabando o reino de Navarra n’aquella familia.[5]
E conclue dizendo que enterraram D. Branca na cathedral de Lescar, desde donde puede predicar á todo el mundo perpetuos desengaños.
Henrique IV, de Castella, impressionou-se pouco com a dilacerante carta da infeliz Branca, sua primeira mulher.
O céo ou Beltrão de Lacueva havia-lhe dado uma filha; bastava esta só alegria para absorver-lhe todas as attenções.
Dois mezes depois do baptizado, o rei ordenou que a infanta D. Joanna fosse, em côrtes de Madrid, proclamada princeza das Asturias e herdeira do throno.
Muitos fidalgos não quizeram jurar; entre elles, D. Luiz de Lacerda, conde de Medinaceli, a quem o rei prometteu mil vassallos para que jurasse, sem que o conde cedesse.
D. Affonso e D. Isabel, os jovens tios da infanta recem-nascida, juraram, sujeitos, como estavam, á tutela do rei.
A voz publica deu um cognome irrisorio á infanta. Chamou-lhe a Beltraneja. Este cognome recordava a sua origem adulterina: Beltraneja, a filha de Beltrão. Mas o rei Henrique nada d’isto sabia, ou queria saber. No dia dos seus annos deu a Beltrão o senhorio de Ledesma e o titulo de conde; chamou-o aos conselhos e governação do reino, e...
E estimulou-o d’este modo a atear cada vez mais, por cupidez de maiores honras e proveitos, o fogo do seu amor á rainha.