Os chronistas castelhanos põem a virtude da infanta D. Isabel acima de toda a suspeita n’esta morte. Cremos que fosse assim, mas é possivel que, mesmo sem conhecimento da infanta, alguem envenenasse o grão-mestre de Calatrava.
A infanta D. Isabel poude, emfim, respirar, mas o estado anarchico do paiz continuou o mesmo. Fizeram-se conferencias em Madrid, cidade que foi posta em poder do arcebispo de Sevilha, entre o rei e os revoltosos. Não deram resultado, como tantas outras conferencias. N’estas aguas turvas só o marquez de Vilhena logrou pescar, porque um bello dia nomeou-se a si proprio grão-mestre de S. Tiago, sem se importar com o rei, nem com o principe Affonso, nem com a côrte, nem com o papa, mas importando-se apenas com a sua muito alta e poderosa pessoa.
IV
MÃE E FILHA
A anarchia continuava desenfreada.
Se as coisas iam mal quando um só rei, o fraco D. Henrique, dominava em Castella, muito peor corriam agora que dois reis adversarios, posto que irmãos, dividiam o paiz em continuas luctas civis, duplamente fratricidas.
Uma d’essas luctas travou-se a 20 de agosto de 1467, nas planicies de Olmedo, entre os partidarios de Affonso e Henrique.