Uma cohorte de noivos... platonicos, que nem sequer com o halito chegaram a macular a sua grinalda virginal de flores de laranjeira...

E a morte, respeitando-a a ella, a todos foi ceifando.


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SEM PAZ NO TUMULO!

El-rei D. Manuel recommenda no seu testamento a Excellente Senhora, como já o fizera o seu antecessor: «Item, pelo conjuncto devido que tenho com a mui Excellente Senhora minha prima, e por suas muitas virtudes, e pela obrigação em que por estes respeitos lhe são, e pelo carrego que d’ella e de todas suas coisas com razão o rei de Portugal deve em todo tempo ter, encommendo muito ao principe meu filho, que sempre d’ella e de sua consolação tenha mui grande e especial carrego, visitando-a e honrando, e tratando como ella o merece, por todas as razões sobredictas, e em todas suas coisas seja alli tratada como eu sempre folguei de o fazer, e é razão que assim se lhe faça, e aos deputados ao governo encommendo e mando que emquanto no governo estiverem lhe façam mui inteiramente pagar os dinheiros que tem de seu assentamento, e n’aquella propria fórma e maneira que agora se lhe faz, e se melhor lhe puder fazer, assim será mui bem que lhe seja feito, e muito lhe encommendo que de isso, e de todo o que lhe cumprir tenham grande e especial cuidado, e entre os mais principaes, isto lhe encommendo muito em especial.»

Um anno depois da morte de D. Manuel, isto é, em 1522, a Excellente Senhora, intitulando-se rainha de Castella, fez doação solenne de todos os seus direitos a el-rei D. João III, considerando-o como seu filho legitimo, e universal herdeiro, visto ser «já em tanta edade constituida que não era tempo para haver de casar, nem poder haver filho natural legitimo descendente, que os dictos seus reinos e senhorios por seu fallecimento haja de herdar».

D. João III, que presente estava, acceitou, e recebeu, e prometteu ter e manter os dictos reinos e senhorios de que a Excellente Senhora lhe fazia doação.