Foram testemunhas d’este acto o barão de Alvito, veador da fazenda real, Luiz da Silveira, do conselho de el-rei e seu guarda-mór, e Ruy Figueira, veador da fazenda da mesma senhora.
Subscreveu o auto o secretario Antonio Carneiro.
D. João III approvou-o e confirmou-o.[73]
A infeliz princeza ainda viveu oito annos. Falleceu em Lisboa, no paço da Alcaçova ou do Castello, no anno de 1530, com sessenta e oito de edade.
Do seu testamento, que existe na Torre do Tombo, gaveta 16, maço I, n.º 2, dá copia Antonio de Sousa nas Provas da historia genealogica.[74]
D. Joanna ordena que o seu corpo seja amortalhado no habito de S. Francisco e enterrado no mosteiro do Varatojo; deixa cem mil réis para missas, outros cem para resgate de vinte e dois escravos moiros e, finalmente, outros cem para os pobres e orfans envergonhados. Á capella de Santa Clara, de Evora, deixa oito mil réis para uma missa diaria.
A isto se limitam as suas disposições espirituaes.
O resto são declarações de divida a differentes damas de sua casa, de quantias que lhes promettera quando casaram; declarações de divida por emprestimos contrahidos ou por serviços recebidos, e recommendações ao rei de legados a varias pessoas suas protegidas, entre as quaes as freiras que tivera por criadas.
D. Joanna assigna: Yo la reyna.[75]
A desventurosa princeza morrera, pois, abraçada ao seu titulo de rainha, que, a bem dizer, nunca passara de uma ficção, titulo sem realidade duradoira que lhe correspondesse e o justificasse.