Talvez por descobrir este equivoco seria que José da Fonseca, na edição dos Lusiadas, feita em Paris em 1846, substituiu Alvaro de Almada, o designado Justador, por João Fernandes Pacheco, que no catalogo de Védouro figura como primeiro supranumerario.

A ter-se como certa a ida dos Doze cavalleiros portuguezes a Inglaterra, o que não póde ter-se como certo, parece-me, é que Alvaro Vaz de Almada fosse um d'esses cavalleiros.

Elle, que foi armado cavalleiro em Ceuta em 1415, e que pela primeira vez estivera na Inglaterra em Janeiro d'esse anno, quando alli fôra levantar as trezentas e cincoenta lanças, não poderia tomar parte n'um torneio, que se teria realisado no fim do seculo anterior.

A sua inclusão na lenda dos Doze explica-se,{144} decerto, por ter sido um dos mais famosos cavalleiros portuguezes do seu tempo.

Sobretudo, as suas viagens e a sua morte em Alfarrobeira, que tanta impressão causou pelas circumstancias cavalheirescas que a revestiram, despertariam, na imaginação popular, o sentimento do maravilhoso. D'aqui talvez o associarem-n'o á lenda.

Mas Alvaro Vaz de Almada não precisa d'essa gloria, aliás duvidosa, porque sobeja gloria lhe adveio dos seus brilhantes feitos e singulares aventuras.

Na Chronica de Monstrelet falla-se de um combate que, no anno de 1414, houve em França entre tres cavalleiros portuguezes e tres gascões: sendo o pretexto o amor das damas, comquanto o verdadeiro mobil fosse o odio que existia entre os francezes e os inglezes, de que os portuguezes eram então alliados.{145}

Os portuguezes foram D. Alvares, D. João e D. Pedro Gonçalves[[78]]; e os gascões François de Grignols, Archambaud de la Roque e Maurignon.

O combate ter-se-ia realisado em Saint-Ouen, na presença do rei: Os portuguezes portaram-se com bravura, mas foram vencidos. Pudera! ou a versão não fosse franceza...

Desculpe, meu caro snr. Lugan. O orgulho das nações chega a ser uma cousa respeitavel.