Era este o requinte da galanteria militar da época. Portanto Alvaro Vaz ou qualquer dos outros cavalleiros da sua familia bem poderiam ter praticado semelhantes proezas no estrangeiro, de 1414 a 1415, ou depois da tomada de Ceuta, quando se viram obrigados a emigrar.

Infelizmente, não posso precisar quaes fossem esses feitos cavalheirescos praticados por elle ou pelos seus.

Camões, na sequencia do episodio dos Doze, refere-se ao duello que o Magriço teve com um francez, e ao desafio que um outro dos cavalleiros portuguezes tivera na Allemanha.

O cavalleiro francez morto, no campo, pelo Magriço foi, segundo a tradição, mr. De Lansay.

O duello do outro portuguez com o allemão:{149}

Outro tambem dos doze em Allemanha
Se lança, e teve um fero desafio
C'um germano enganoso, que com manha
Não devida, o quiz pôr no extremo fio;

bem podia ser vaga recordação de alguma façanha de Alvaro Vaz quando combateu pelo imperador Sigismundo, embora essa façanha nenhuma relação tivesse com a lenda dos Doze. Mas, no poema, quando Velloso está n'este lance da narrativa, o mestre de bordo toca o apito, a manobra começa, as conversações na tolda interrompem-se.

Camões conta que Magriço não recolhera logo depois do torneio:

Mas dizem que comtudo o grão Magriço
Desejoso de vêr as cousas grandes,
Lá se deixou ficar, onde um serviço
Notavel á Condessa fez de Frandes.

E Mariz, nos Dialogos, diz que tambem ficaram no estrangeiro, além de Magriço,{150} mais dous, «fazendo taes obras em armas, que um d'elles alcançou de el-rei de França o condado de Abranches em França, pelas obras que em seu serviço fizera», e que este veio depois a morrer em Alfarrobeira.