Em 1400 enviou-o D. João I a Castella, com o arcebispo de Lisboa e o doutor Martim Docem para negociar um tratado de paz ou treguas, e em 1404 a Inglaterra, tambem com Martim Docem, para tratar do casamento de D. Beatriz, filha natural do rei, e irmã do duque de Bragança, com o conde de Arundel e de Surry[[7]].
Mais tarde, quando D. João I se apercebia para a conquista de Ceuta, enviou João Vaz de Almada outra vez a Inglaterra para levantar quatrocentas lanças ao serviço de Portugal.
Parece que João Vaz levou comsigo{19} seu filho Alvaro, porquanto ha noticia de uma carta de Henrique V, rei de Inglaterra, ás auctoridades do porto de Londres, ordenando-lhes que deixem sahir livremente os homens de armas e trezentas e cincoenta lanças que Alvaro Vaz havia contratado para o rei de Portugal[[8]].
Não foram estes os unicos auxilios que D. João I mandou buscar a Inglaterra com o mesmo fim. Tambem Pedro Lobato trouxe d'aquelle paiz trezentas lanças «para o muito poderoso principe o infante D. Henrique, filho do dito seu tio—diz Henrique V n'uma carta aos seus almirantes,—a fim de fazer a guerra aos incredulos e aos inimigos da fé catholica[[9]].
Pormenor interessante: Este mesmo Pedro Lobato trouxe n'essa occasião uma{20} armadura completa para o infante D. Henrique.
Vieram ainda mais sessenta lanças, com os respectivos cavallos e armaduras, a bordo de dois navios portuguezes, de que eram mestres João Affonso e Egydio João.
João Vaz de Almada acompanhou D. João I na viagem a Ceuta.
Conta Fernam Lopes que, tendo alguem visto um grande bando de pardaes sobre o castello d'aquella cidade, dissera:
—Não vêdes como aquelles pardaes alli estão assocegados? Que me matem se Salat-bem-Salat com todos os outros não é partido d'alli, e deixou o castello vazio, cá se assi não fosse, não estariam alli aquelles pardaes assi de assocego.
Foram dizer isto ao rei D. João, que respondeu: